A Europa chega ao The Game Awards 2026 com duas marcas ao mesmo tempo: a maior bancada do júri e a melhor sequência recente no prêmio principal.
Dos 160 veículos que votam nesta edição, 60 são europeus, recorde da série iniciada em 2014. No palco, estúdios do continente venceram 3 dos últimos 5 Jogos do Ano.
Veículos do júri do TGA 2026 por região
Europa tem 60 dos 160 votantes; Ásia vem em segundo, com 35
Fonte: Lista oficial do júri do The Game Awards; Internet Archive (cópias da página oficial do TGA, 2014 a 2025) · Europa inclui o Reino Unido; América do Norte reúne EUA e Canadá; Egito integra a África.
No júri de 2026, Europa tem 60 veículos (37,5%), Ásia 35 (21,9%), América Latina 34 (21,3%), América do Norte 24 (15%), Oceania 4 (2,5%) e África 3 (1,9%).
| Região | Veículos (veículos) | Participação no júri (%) |
|---|---|---|
| Europa | 60 | 38 |
| Ásia | 35 | 22 |
| América Latina | 34 | 21 |
| América do Norte | 24 | 15 |
| Oceania | 4 | 3 |
| África | 3 | 2 |
Fonte: Lista oficial do júri do The Game Awards; Internet Archive (cópias da página oficial do TGA, 2014 a 2025)
Nota: Europa inclui o Reino Unido; América do Norte reúne EUA e Canadá; Egito integra a África.
O último foi Clair Obscur: Expedition 33, da francesa Sandfall Interactive. Em 2025, o jogo levou nove troféus, o maior número já conquistado por um título numa única cerimônia. Antes dele, vieram It Takes Two, da sueca Hazelight, em 2021, e Baldur's Gate 3, da belga Larian, em 2023.
A América do Norte, que dominou o começo do prêmio, não vence desde 2020, quando The Last of Us Part II levou a estatueta.
O Jogometria cruzou a composição do júri de 2014 a 2026 com os 68 finalistas de Jogo do Ano de 2014 a 2025 para entender como a Europa ganhou espaço nas duas frentes.
Participação no júri
A Europa sempre teve peso no júri do TGA, mas foi em 2018 que virou a maior bancada. Em 2014, o continente tinha 8 dos 28 veículos votantes (28,6%). Em 2018, chegou a 25 de 69 (36,2%) e passou a América do Norte pela primeira vez, por um veículo. Desde então, nunca mais saiu do topo.
Em 2026, são 60 veículos europeus, 7,5 vezes mais do que na primeira edição. A participação chegou a 37,5%, a maior da série.
O avanço acompanha a expansão do próprio júri, que saltou de 28 para 160 veículos, mas a Europa cresceu mais rápido do que o conjunto.
Participação das maiores regiões no júri do TGA, 2014 a 2026
Europa passou a América do Norte em 2018 e chega a 37,5% do júri em 2026
Fonte: Lista oficial do júri do The Game Awards; Internet Archive (cópias da página oficial do TGA, 2014 a 2025) · Europa inclui o Reino Unido. Oceania e África não aparecem neste gráfico.
A Europa vai de 28,6% do júri em 2014 para 36,2% em 2018, quando passa a América do Norte, e chega a 37,5% em 2026. A América do Norte cai de 67,9% para 15%; A Ásia sobe de 3,6% para 21,9%; a América Latina, de 0% para 21,3%.
| Edição | Europa (%) | América do Norte (%) | Ásia (%) | América Latina (%) |
|---|---|---|---|---|
| 2014 | 28,6 | 67,9 | 3,6 | 0,0 |
| 2015 | 23,3 | 63,3 | 3,3 | 6,7 |
| 2016 | 28,6 | 57,1 | 3,6 | 7,1 |
| 2017 | 26,9 | 48,1 | 9,6 | 11,5 |
| 2018 | 36,2 | 34,8 | 11,6 | 13,0 |
| 2019 | 36,3 | 28,8 | 15,0 | 15,0 |
| 2020 | 33,3 | 25,0 | 22,9 | 13,5 |
| 2021 | 35,6 | 25,0 | 22,1 | 12,5 |
| 2022 | 33,6 | 21,6 | 23,3 | 16,4 |
| 2023 | 31,9 | 24,4 | 22,7 | 15,1 |
| 2024 | 32,8 | 20,9 | 25,4 | 15,7 |
| 2025 | 35,7 | 18,8 | 24,0 | 16,9 |
| 2026 | 37,5 | 15,0 | 21,9 | 21,3 |
Fonte: Lista oficial do júri do The Game Awards; Internet Archive (cópias da página oficial do TGA, 2014 a 2025)
Nota: Europa inclui o Reino Unido. Oceania e África não aparecem neste gráfico.
Mais jogos europeus entre os indicados
A presença europeia na disputa de Jogo do Ano mudou de patamar a partir de 2021. Entre 2014 e 2020, o continente emplacou 4 dos 38 indicados na categoria principal do prêmio (10,5%), nunca mais de um por edição.
De 2021 a 2025, foram 10 de 30 (33,3%), com dois ou três europeus finalistas por ano, com exceção de 2024.
Finalistas europeus de Jogo do Ano por edição, 2014 a 2025
Desde 2021, a Europa emplaca dois ou três finalistas por ano, com exceção de 2024
Fonte: Levantamento Jogometria · Em azul, edições vencidas por estúdio europeu.
A Europa teve no máximo um finalista por edição de 2014 a 2020, três em 2021 e 2022, dois em 2023, nenhum em 2024 e dois em 2025. Venceu em 2015, 2021, 2023 e 2025.
| Edição | Finalistas europeus (jogos) | Total de finalistas (jogos) | Jogo do Ano |
|---|---|---|---|
| 2014 | 0 | 5 | Dragon Age: Inquisition (Canadá) |
| 2015 | 1 | 5 | The Witcher 3: Wild Hunt (Polônia) |
| 2016 | 1 | 5 | Overwatch (EUA) |
| 2017 | 1 | 5 | The Legend of Zelda: Breath of the Wild (Japão) |
| 2018 | 0 | 6 | God of War (EUA) |
| 2019 | 1 | 6 | Sekiro: Shadows Die Twice (Japão) |
| 2020 | 0 | 6 | The Last of Us Part II (EUA) |
| 2021 | 3 | 6 | It Takes Two (Suécia) |
| 2022 | 3 | 6 | Elden Ring (Japão) |
| 2023 | 2 | 6 | Baldur's Gate 3 (Bélgica) |
| 2024 | 0 | 6 | Astro Bot (Japão) |
| 2025 | 2 | 6 | Clair Obscur: Expedition 33 (França) |
Fonte: Levantamento Jogometria
Nota: Em azul, edições vencidas por estúdio europeu.
No mesmo intervalo, a América do Norte fez o caminho inverso. Sua fatia entre os indicados à principal categoria caiu de 47,4% para 20%. O Japão ficou estável, perto de 40% nos dois períodos.
A subida europeia não foi uma linha reta. Em 2024, nenhum jogo do continente chegou à final, e o Japão ocupou 4 das 6 vagas, com Astro Bot como vencedor. No ano seguinte, a Europa voltou com dois indicados e levou o prêmio.
| Edição | Jogo do Ano | Estúdio | País |
|---|---|---|---|
| 2025 | Clair Obscur: Expedition 33 | Sandfall Interactive | França |
| 2023 | Baldur's Gate 3 | Larian Studios | Bélgica |
| 2021 | It Takes Two | Hazelight Studios | Suécia |
| 2015 | The Witcher 3: Wild Hunt | CD Projekt Red | Polônia |
Com quatro vitórias em 12 edições, a Europa empata com o Japão e a América do Norte no total histórico. A diferença está no ritmo: três das quatro conquistas europeias vieram nos últimos cinco anos.
França vota muito e também chega à final
A França é o país que melhor resume a ascensão europeia. Tem a segunda maior bancada do continente no júri, com 47 participações de 2014 a 2025, e é o país europeu com mais finalistas de Jogo do Ano: Deathloop (2021), A Plague Tale: Requiem e Stray (ambos de 2022) e Clair Obscur: Expedition 33 (2025), o vencedor mais recente.
Depois dela, aparecem Finlândia e Países Baixos, com dois finalistas cada. A finlandesa Remedy emplacou Control (2019) e Alan Wake 2 (2023). A Guerrilla, estúdio da Sony em Amsterdã, chegou com Horizon Zero Dawn (2017) e Horizon Forbidden West (2022). Polônia, Dinamarca, Suécia, Espanha, Bélgica e República Tcheca têm um finalista cada.
O contraste está no Reino Unido. O país tem a maior bancada europeia, com 97 participações no júri de 2014 a 2025, mas nenhum finalista de Jogo do Ano feito por estúdio britânico no período. A Alemanha, com 45 participações, também ficou sem indicados.
O caso mais próximo é Red Dead Redemption 2, finalista em 2018, desenvolvido em parte pela Rockstar North, de Edimburgo, mas atribuído aos Estados Unidos neste levantamento.
Bancada grande não garante indicação
Os veículos do júri indicam os finalistas e respondem por 90% da escolha dos vencedores. Mesmo assim, o tamanho de uma bancada não se traduz automaticamente em jogos na final. O Japão é o exemplo mais claro: teve 4,5% das vagas do júri de 2014 a 2025 e 27 dos 68 finalistas (39,7%), mais do que qualquer outro país.
A América Latina mostra o lado oposto. Com 14% das vagas no mesmo período, não teve nenhum finalista de Jogo do Ano. A Ásia, sem contar o Japão, mais que dobrou sua participação no júri: de 8,9% das vagas de 2014 a 2020 para 19% de 2021 a 2025. Mesmo assim, emplacou só dois finalistas em 12 anos.
Por isso, o crescimento europeu nas duas frentes funciona como um retrato do peso que o continente ganhou na indústria e na imprensa de games. Os dados não indicam que o júri favoreça jogos da própria região.
O próximo teste
Os indicados do TGA 2026 devem ser anunciados em novembro, com a cerimônia em dezembro. A lista vai mostrar se a Europa mantém o ritmo de dois ou três finalistas por edição, agora com a maior bancada que já teve no júri.