A renovação recorde do júri de 2026 do The Game Awards redesenhou o mapa de quem, em dezembro, vai escolher os premiados da maior celebração do mercado de videogames. Nenhuma região cresceu tanto quanto a América Latina.
O júri inteiro ganhou seis vagas de 2025 para 2026. A bancada latino-americana ganhou oito, chegou a 34 veículos e passou a ter um em cada cinco votantes. A região passa a América do Norte e chega ao terceiro lugar entre as bancadas regionais, atrás de Europa e Ásia.
Que espaço a região ocupa?
A América Latina tem 34 dos 160 veículos do júri de 2026, ou 21,3% do total. Em 2025, eram 26 de 154 (16,9%). Os oito votantes a mais são o maior ganho da região em uma única edição.
Participação da América Latina no júri do TGA, 2014 a 2026
Em 2026, a região passa de 20% do júri pela primeira vez
Fonte: Lista oficial do júri do The Game Awards; Internet Archive (cópias da página oficial do TGA, 2014 a 2025)
A América Latina não tinha votantes em 2014, chegou a 15% em 2019, ficou entre 12,5% e 16,9% de 2020 a 2025 e tem 21,3% (34 de 160 veículos) em 2026.
| Edição | Participação (%) | Veículos da América Latina (veículos) | Total do júri (veículos) |
|---|---|---|---|
| 2014 | 0,0 | 0,0 | 28,0 |
| 2015 | 6,7 | 2,0 | 30,0 |
| 2016 | 7,1 | 2,0 | 28,0 |
| 2017 | 11,5 | 6,0 | 52,0 |
| 2018 | 13,0 | 9,0 | 69,0 |
| 2019 | 15,0 | 12,0 | 80,0 |
| 2020 | 13,5 | 13,0 | 96,0 |
| 2021 | 12,5 | 13,0 | 104,0 |
| 2022 | 16,4 | 19,0 | 116,0 |
| 2023 | 15,1 | 18,0 | 119,0 |
| 2024 | 15,7 | 21,0 | 134,0 |
| 2025 | 16,9 | 26,0 | 154,0 |
| 2026 | 21,3 | 34,0 | 160,0 |
Fonte: Lista oficial do júri do The Game Awards; Internet Archive (cópias da página oficial do TGA, 2014 a 2025)
A presença começou em 2015, com o mexicano Level Up e o brasileiro UOL Jogos. Até 2016, a região tinha só esses dois votantes, cerca de 7% do júri. A fatia chegou a 15% em 2019 e passou os seis anos seguintes entre 12,5% e 17%, mesmo com o júri dobrando de tamanho.
Em outras palavras, a América Latina crescia no mesmo ritmo do prêmio, sem ganhar peso. Em 2026, pela primeira vez, a fatia passou de 20%.
A América Latina e as outras regiões
A Europa segue com a maior bancada, 60 veículos (37,5%). Depois vêm Ásia (35), América Latina (34) e América do Norte (24, sendo 17 dos EUA e 7 do Canadá). Oceania (4) e África (3) completam o júri.
Veículos no júri do TGA por região, 2025 e 2026
A América Latina passa a América do Norte e vira a terceira maior bancada
Fonte: Lista oficial do júri do The Game Awards; Internet Archive (cópias da página oficial do TGA, 2014 a 2025) · América do Norte reúne EUA e Canadá; Europa inclui Reino Unido; Egito integra a África.
Em 2026, a Europa tem 60 veículos (55 em 2025), a Ásia 35 (37), a América Latina 34 (26), a América do Norte 24 (29), a Oceania 4 (4) e a África 3 (3).
| Região | 2025 (veículos) | 2026 (veículos) |
|---|---|---|
| Europa | 55 | 60 |
| Ásia | 37 | 35 |
| América Latina | 26 | 34 |
| América do Norte | 29 | 24 |
| Oceania | 4 | 4 |
| África | 3 | 3 |
Fonte: Lista oficial do júri do The Game Awards; Internet Archive (cópias da página oficial do TGA, 2014 a 2025)
Nota: América do Norte reúne EUA e Canadá; Europa inclui Reino Unido; Egito integra a África.
A mudança veio dos dois lados. A América Latina ganhou oito vagas e a Europa, cinco, enquanto a América do Norte perdeu cinco e a Ásia, duas.
A região volta ao terceiro lugar. Foi a terceira maior bancada de 2015 a 2018 e empatou com a Ásia em 2019, com 12 veículos cada. Caiu para quarta em 2020, quando a Ásia passou de 12 para 22 veículos, e ficou nessa posição até 2025.
Participação das maiores regiões no júri do TGA, 2014 a 2026
A América Latina volta ao terceiro lugar; a América do Norte cai para quarto
Fonte: Lista oficial do júri do The Game Awards; Internet Archive (cópias da página oficial do TGA, 2014 a 2025) · Oceania e África ficam fora deste gráfico (4,4% do júri em 2026).
A América do Norte cai de 67,9% do júri em 2014 para 15% em 2026. A Europa termina com 37,5%, a Ásia com 21,9% e a América Latina com 21,3%, a terceira maior fatia.
| Edição | América Latina (%) | Europa (%) | Ásia (%) | América do Norte (%) |
|---|---|---|---|---|
| 2014 | 0,0 | 28,6 | 3,6 | 67,9 |
| 2015 | 6,7 | 23,3 | 3,3 | 63,3 |
| 2016 | 7,1 | 28,6 | 3,6 | 57,1 |
| 2017 | 11,5 | 26,9 | 9,6 | 48,1 |
| 2018 | 13,0 | 36,2 | 11,6 | 34,8 |
| 2019 | 15,0 | 36,3 | 15,0 | 28,8 |
| 2020 | 13,5 | 33,3 | 22,9 | 25,0 |
| 2021 | 12,5 | 35,6 | 22,1 | 25,0 |
| 2022 | 16,4 | 33,6 | 23,3 | 21,6 |
| 2023 | 15,1 | 31,9 | 22,7 | 24,4 |
| 2024 | 15,7 | 32,8 | 25,4 | 20,9 |
| 2025 | 16,9 | 35,7 | 24,0 | 18,8 |
| 2026 | 21,3 | 37,5 | 21,9 | 15,0 |
Fonte: Lista oficial do júri do The Game Awards; Internet Archive (cópias da página oficial do TGA, 2014 a 2025)
Nota: Oceania e África ficam fora deste gráfico (4,4% do júri em 2026).
O gráfico mostra também a mudança de centro do prêmio. Em 2014, a América do Norte tinha dois em cada três votantes (19 de 28). Hoje tem 15%, menos que a América Latina e a Ásia.
Os 34 votantes latino-americanos vêm de sete países. Na Europa, são 16 países identificados, além de um veículo do Benelux sem país de sede confirmado. Na Ásia, são 13 países identificados, além de um veículo pan-árabe sem sede confirmada.
Quem compõe a bancada?
O Brasil é o maior país da região, com 14 veículos, e o terceiro de todo o júri, atrás de EUA e Reino Unido (17 cada). Depois vêm México (7), Argentina (4), Chile (4), Colômbia (2), Peru (2) e República Dominicana (1).
Veículos latino-americanos no júri do TGA por país, 2025 e 2026
Brasil, Argentina e Chile puxam o crescimento; a República Dominicana estreia
Fonte: Lista oficial do júri do The Game Awards; Internet Archive (cópias da página oficial do TGA, 2014 a 2025)
De 2025 para 2026, o Brasil passa de 10 para 14 veículos, a Argentina de 2 para 4 e o Chile de 3 para 4. México (7), Colômbia (2) e Peru (2) ficam iguais. A República Dominicana estreia com 1.
| País | 2025 (veículos) | 2026 (veículos) |
|---|---|---|
| Brasil | 10 | 14 |
| México | 7 | 7 |
| Argentina | 2 | 4 |
| Chile | 3 | 4 |
| Colômbia | 2 | 2 |
| Peru | 2 | 2 |
| República Dominicana | 0 | 1 |
Fonte: Lista oficial do júri do The Game Awards; Internet Archive (cópias da página oficial do TGA, 2014 a 2025)
Brasil e México somam 21 dos 34 votantes latino-americanos (62%). A proporção pouco muda desde 2019, entre 58% e 68%. Os outros países chegaram aos poucos: Argentina em 2017, Peru em 2018, Chile em 2019, Colômbia em 2022 e República Dominicana agora.
Dez veículos entraram na bancada em 2026 e dois saíram. No Brasil, chegaram Adrenaline, O Vício e Veja, e o TechTudo voltou depois de um ano fora. Na Argentina, estrearam Clarín e La Voz del Interior; no Chile, La Tercera, La Cuarta e Pisapapeles; na República Dominicana, o GamersRD. Os chilenos ETC TV e BioBioTV deixaram a lista.
Dos 34, 24 são especializados em games ou cultura geek e 10 são generalistas, veículos que cobrem jogos ao lado de política, cultura ou entretenimento. Pela origem, 17 são sites ou portais, 9 vêm da mídia tradicional (jornais, revistas e TVs) e 8 são projetos de criadores de conteúdo, como Nautilus, Jogabilidade e o mexicano BRCDEvg.
Nenhuma outra região tem tantos generalistas em proporção: 29% da bancada latino-americana, contra 23% da europeia, 17% da norte-americana e 3% da asiática.
O Caribe estreia
O GamersRD é o primeiro veículo de um país caribenho no júri do TGA. O prêmio o lista sob a República Dominicana, que vira o sétimo país latino-americano na votação.
O site publica notícias, análises de jogos e de hardware, opinião e podcasts, e suas críticas entram no agregador Metacritic. Segundo a própria página institucional, foi fundado em março de 2015.
A República Dominicana é um dos três países que estreiam no júri em 2026, ao lado da Áustria e de Israel. Com eles, o júri passa a reunir veículos de 41 países.
Os generalistas e a saída dos EUA
A virada também mudou quem, dentro do júri, escreve sobre games para leitores que não acompanham sites especializados. Os generalistas são 30 dos 160 votantes, quase o mesmo número de 2025 (31). O que mudou foi a origem: os dos EUA caíram de nove para dois, e os da América Latina subiram de sete para dez.
Veículos generalistas no júri do TGA por região, 2025 e 2026
Os da América do Norte caem de 11 para 4; os latino-americanos sobem de 7 para 10
Fonte: Lista oficial do júri do The Game Awards; Internet Archive (cópias da página oficial do TGA, 2014 a 2025) · EUA: de 9 para 2.
Em 2026, a Europa tem 14 generalistas (9 em 2025), a América Latina 10 (7), a América do Norte 4 (11), a Ásia 1 (3) e a Oceania 1 (1).
| Região | 2025 (veículos) | 2026 (veículos) |
|---|---|---|
| Europa | 9 | 14 |
| América Latina | 7 | 10 |
| América do Norte | 11 | 4 |
| Ásia | 3 | 1 |
| Oceania | 1 | 1 |
Fonte: Lista oficial do júri do The Game Awards; Internet Archive (cópias da página oficial do TGA, 2014 a 2025)
Nota: EUA: de 9 para 2.
Saíram Rolling Stone, The Atlantic, Esquire, Entertainment Weekly, Inverse, Pride.com e Wirecutter, do New York Times. Ficaram só NPR e Variety. A saída mais simbólica é a da Entertainment Weekly, que estava no júri desde 2014 e era um dos oito veículos presentes em todas as edições até 2025.
Os EUA perderam ainda WIRED e GamesBeat e ganharam três especializados: ComicBook.com, DualShockers e Noisy Pixel. A bancada dos EUA caiu de 23 para 17 veículos, e a da América do Norte, de 29 para 24. A América Latina, com 34, passou a região pela primeira vez.
Dos 12 generalistas que estrearam em 2026, cinco são latino-americanos, cinco são britânicos (Daily Star, Empire, GQ, NME e Radio Times) e dois são espanhóis (El País e La Vanguardia).
Por trás das marcas latino-americanas, há cobertura de games com assinatura. Na Veja, a coluna Visão de Jogo é de Claudio Prandoni, que em outubro entrevistou Devon Pritchard, presidente da Nintendo of America, na primeira visita dela ao Brasil. No Clarín, as críticas são de Hernán Mármol; no La Voz del Interior, de Sebastián Roggero, que testou o argentino Dreamcore. No Chile, Claudio Portilla assina textos no espaço Mouse, do La Tercera, e no La Cuarta, tabloide popular do mesmo grupo. O Grupo Clarín controla o La Voz, e a Copesa edita os dois chilenos.
Do júri ao palco
O júri responde por 90% do peso na escolha dos vencedores. De 2014 a 2025, veículos latino-americanos ocuparam 141 das 1.010 vagas da votação (14%). No mesmo período, nenhum dos 68 finalistas de Jogo do Ano foi desenvolvido por um estúdio da região.
Fora da categoria principal, a presença existe, mas é pontual. Em 2023, dois jogos brasileiros disputaram Melhor Jogo de Luta: Pocket Bravery, da Statera Studio, e God of Rock, da Modus Studio Brazil. Ambos perderam para Street Fighter 6.
O que pode mudar?
A América Latina nunca teve tanto peso na votação, e parte desse peso agora vem de jornais e revistas que falam com o público geral.
Se isso muda os votos, não dá para saber: as cédulas individuais não são públicas, e o TGA não explica por que inclui ou retira veículos.
Um júri mais latino-americano amplia a participação da região na escolha, mas não garante indicações ou troféus para suas produções.
Assista ao trailer de Pocket Bravery na EVO 2022. Pocket Bravery, da brasileira Statera Studio, disputou Melhor Jogo de Luta no TGA 2023.