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Exército cancela jogo por falta de recursos

Documentos obtidos pela Lei de Acesso à Informação mostram que o Missão Verde-Oliva nunca saiu do papel

Por Lucas Arraz · Publicado em · aprox. 3 min de leitura

Soldados brasileiros em formação, usando capacetes e segurando fuzis
Montagem: Jogometria

Resumo

  • Exército previa pouco menos de R$ 4 milhões; imprensa estimou o custo em R$ 50 milhões.
  • Nenhum recurso foi empenhado; o jogo nunca entrou em produção.
  • Reuniões sobre o jogo não deixaram ata, relatório nem documento.

O Missão Verde-Oliva, jogo idealizado pelo Exército Brasileiro, foi cancelado antes mesmo de entrar em desenvolvimento, por falta de recursos. Pensado como um shooter online, patriótico e gratuito, o projeto foi oficialmente descontinuado sem nunca entrar em produção.

Documentos obtidos com exclusividade pelo X do Controle, via Lei de Acesso à Informação, mostram que o projeto foi abandonado sem nenhum avanço significativo desde o anúncio, feito por uma portaria de 30 de abril de 2020.

O Centro de Comunicação Social do Exército (CCOMSEx) confirmou que o projeto não chegou a buscar um estúdio parceiro e não produziu documentos na fase de estudo e viabilidade. Segundo o CCOMSEx, as reuniões sobre o jogo foram informais, sem relatórios, atas ou qualquer documento de apoio. Na prática, o Missão Verde-Oliva nunca saiu do papel.

R$ 4 milhões para um jogo de R$ 50 milhões

Para lançar o jogo, as Forças Armadas pretendiam investir pouco menos de R$ 4 milhões em desenvolvimento, marketing e conteúdo pós-lançamento. O orçamento previa R$ 1,4 milhão de produção em 2022 e R$ 1,1 milhão em 2023. Depois do lançamento, o jogo teria suporte por mais dois anos, com custos estimados em R$ 263 mil em 2023, R$ 66 mil em 2024 e cerca de R$ 55 mil em 2025 e 2026.

Fontes ouvidas pela imprensa em 2020, porém, estimaram que seriam necessários ao menos R$ 50 milhões para um projeto desse tamanho, 12,5 vezes o orçamento previsto. Na época, o Exército tinha captado cerca de R$ 875 mil para a pré-produção.

Valores do projeto Missão Verde-Oliva

Custo estimado do jogo era 12,5 vezes o orçamento do Exército

Fonte: Exército Brasileiro; Imprensa · Custo estimado: fontes ouvidas pela imprensa em 2020.

Fontes da imprensa estimaram em R$ 50 milhões o custo do jogo; o Exército previa pouco menos de R$ 4 milhões e captou R$ 875 mil para a pré-produção.

Dados: Valores do projeto Missão Verde-Oliva. Custo estimado do jogo era 12,5 vezes o orçamento do Exército
ItemValor (R$ milhões)
Custo estimado pela imprensa50,0
Orçamento previsto pelo Exército4,0
Captado para a pré-produção0,9

Fonte: Exército Brasileiro; Imprensa

Nota: Custo estimado: fontes ouvidas pela imprensa em 2020.

Fonte: Exército Brasileiro; ImprensaNota: Custo estimado: fontes ouvidas pela imprensa em 2020.Jogometria · Lucas Arraz

Em nota ao X do Controle, o Serviço de Informações ao Cidadão do Exército explicou que nenhum recurso foi empenhado na produção do jogo.

“O Estudo de Viabilidade do projeto foi baseado em uma realidade orçamentária e financeira que, infelizmente, não se concretizou. Esta discrepância foi o fator determinante para a descontinuação do Projeto Verde-Oliva.” Serviço de Informações ao Cidadão do Exército Brasileiro

Serviço de Informações ao Cidadão do Exército Brasileiro

O que o jogo prometia

O jogo seria gratuito para computadores, com meta de 15 mil jogadores online e 3 milhões de downloads em até dois anos. A proposta incluía gráficos realistas e um modo história ambientado num Brasil futurista de 2025. O Exército planejava contratar um estúdio para a produção, que teria 19 meses, de julho de 2021 a janeiro de 2023.

Anunciado em 2020 como uma forma de atrair jovens de 16 a 24 anos, o Missão Verde-Oliva seria um shooter online inspirado em Rainbow Six e Counter-Strike. A ideia era repetir o sucesso de America’s Army, lançado pelo Exército dos Estados Unidos em 2002, que serviu de entretenimento e também de ferramenta de recrutamento e treinamento.

O jogo prometia “muita ação”, mas sem “sangue em demasia”, e descartava cenários de combate em favelas. Os R$ 4 milhões previstos equivalem ao dobro do que o Ministério da Defesa gastou com o apoio à presença brasileira na Antártica e ao montante aplicado em pesquisa aeroespacial em 2020.

O então ministro da Defesa, Braga Netto, chegou a pedir aumento da verba das Forças Armadas para evitar o sucateamento da tropa, o que expôs a distância entre a ambição do projeto e os recursos disponíveis.

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