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Games

Games aparecem 15 vezes nos 13 planos de governo de 2026

Apenas três presidenciáveis apresentam propostas para indústria de games, nenhuma com prazo

Por Lucas Arraz · Publicado em · aprox. 4 min de leitura

Montagem de quatro figuras políticas em preto e branco, separadas por linhas amarelas e sobrepostas por pontos dourados e brancos
Montagem: Jogometria / Fotos: Agência Brasil

Resumo

  • Games têm 15 menções em 816 páginas de propostas de presidenciáveis
  • Só 6 das 15 menções trazem proposta, e nenhuma tem orçamento ou prazo
  • IA aparece 192 vezes, quase 13 vezes mais que games

Os 13 planos de governo apresentados pelos candidatos ao Palácio do Planalto em 2026 somam 816 páginas protocoladas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Nesse total, a indústria de games aparece 15 vezes.

Só seis dessas menções trazem uma proposta de ação para o setor. As outras nove são balanços, diagnósticos ou críticas ao uso de telas. Quatro dos 13 candidatos citam o tema, e apenas três elaboram alguma proposta. Nenhum informa orçamento, prazo ou meta para os próximos quatro anos.

Quanto cada tema aparece nos planos

A política fiscal é a principal preocupação dos presidenciáveis, com 1.133 menções, seguida pela segurança pública, com 949. Nenhum programa cita consoles nem discute o preço de PCs e componentes para quem joga ou desenvolve.

Menções por tema nos 13 planos de governo de 2026

Games têm 15 menções; política fiscal, 1.133

Fonte: TSE

Nos 13 planos de governo de 2026, política fiscal tem 1.133 menções, segurança pública 949, inteligência artificial 192 e games 15.

Dados: Menções por tema nos 13 planos de governo de 2026. Games têm 15 menções; política fiscal, 1.133
TemaMenções (menções)
Política fiscal1.133
Segurança pública949
Inteligência artificial192
Games15

Fonte: TSE

Fonte: TSEJogometria · Lucas Arraz

O contraste cresce diante do tamanho do público. Segundo a Pesquisa Game Brasil de abril de 2026, três em cada quatro brasileiros de 16 a 55 anos jogam, num mercado interno que movimentou R$ 60 bilhões desde a última eleição.

Mais espaço do que em 2022

Apesar do número pequeno, os games ganharam espaço em relação à eleição anterior. Nos 11 planos das candidaturas que disputaram o primeiro turno de 2022, havia duas menções válidas, ambas com proposta.

Como os documentos de 2026 são muito maiores, a comparação mais justa é pela densidade: games passam de 0,18 para 0,61 menção a cada 10 mil palavras, alta de 3,4 vezes.

O que os candidatos dizem sobre games

Nove das 13 candidaturas não escrevem "games", "videogames" ou "jogos eletrônicos" nenhuma vez.

O plano de Ronaldo Caiado (PSD) é o que mais trata do setor: seis menções, três delas com políticas públicas. Uma é o item batizado de "política industrial para audiovisual e jogos", que promete fortalecer a Ancine e o Fundo Setorial do Audiovisual para financiar primeiras obras de estúdios e desenvolvedores, além de incentivar coproduções e a diversidade regional.

Menções a games por candidatura, 2026

Só 6 das 15 menções a games trazem proposta

Fonte: TSE

Ronaldo Caiado cita games 6 vezes, 3 com proposta; Lula 4 vezes, 1 com proposta; Augusto Cury 3 vezes, nenhuma com proposta; Pablo Marçal 2 vezes, ambas com proposta.

Dados: Menções a games por candidatura, 2026. Só 6 das 15 menções a games trazem proposta
CandidaturaCom proposta para o setor (menções)Balanço, diagnóstico ou crítica (menções)
Ronaldo Caiado (PSD)33
Lula (PT)13
Augusto Cury (Avante)03
Pablo Marçal (PRTB)20

Fonte: TSE

Fonte: TSEJogometria · Lucas Arraz

Lula (PT) cita o setor quatro vezes, três delas em balanço do próprio governo: a sanção do Marco Legal dos Games (Lei 14.852, de 2024), que abriu aos jogos o acesso à Lei Rouanet, e a criação de códigos específicos na CNAE e na Classificação Brasileira de Ocupações, em março. Para o próximo mandato, o plano promete "seguir apoiando este setor estratégico".

Augusto Cury (Avante) é o único a citar games de forma negativa. Num plano de 200 páginas voltado à educação, o texto aponta jogos, redes sociais e plataformas digitais como responsáveis por alunos "desinteressados, fatigados mentalmente e intoxicados digitalmente". Não há proposta para a indústria.

Pablo Marçal (PRTB), inelegível e com a candidatura praticamente descartada, apresentou um plano de 28 páginas com duas propostas: incentivo à produção de jogos digitais e criação de um polo nacional do setor. O texto não diz como, quando, com que orçamento nem sob qual órgão.

A inteligência artificial ganha espaço

A inteligência artificial aparece 192 vezes, em 9 dos 13 planos, quase 13 vezes mais que os games. Augusto Cury lidera, com 61 menções, a maioria sobre cruzar dados para detectar fraudes e sobrepreços. Ronaldo Caiado tem 49, concentradas em gestão pública. Flávio Bolsonaro tem 22 e promete uma Estratégia Nacional de Inteligência Artificial.

Crescimento da presença nos planos

IA cresce 17,2 vezes; games, 3,4

Fonte: TSE · Crescimento das menções a cada 10 mil palavras dos planos.

Considerando o tamanho dos documentos, a presença de inteligência artificial cresce 17,2 vezes de 2022 para 2026 (de 5 para 192 menções) e a de games, 3,4 vezes (de 2 para 15 menções).

Dados: Crescimento da presença nos planos. IA cresce 17,2 vezes; games, 3,4
TemaCrescimento por 10 mil palavras (vezes)Menções 2022 e 2026
Inteligência artificial17,2de 5 para 192 menções
Games3,4de 2 para 15 menções

Fonte: TSE

Nota: Crescimento das menções a cada 10 mil palavras dos planos.

Fonte: TSENota: Crescimento das menções a cada 10 mil palavras dos planos.Jogometria · Lucas Arraz

Lula é o único que trata IA como questão de soberania, com infraestrutura computacional nacional e um conselho de soberania digital. Romeu Zema defende o caminho oposto e propõe "evitar uma regulação precoce e ampla" da tecnologia. Quatro planos, de PCB, PCO, UP e Democrata, não citam IA nenhuma vez.

Em relação a 2022, a IA salta de 5 para 192 menções. Considerando o tamanho dos documentos, sua presença cresce 17,2 vezes, cerca de cinco vezes o ritmo dos games.

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