Final Fantasy Resonance saiu em 22 de outubro sem português do Brasil, e a comunidade não esperou muito. A PKG Traduções anunciou nesta semana a tradução do RPG para PT-BR em três plataformas: PC (Steam), PlayStation 5 e Nintendo Switch.
Segundo o grupo, o pacote cobre diálogos, menus, itens, habilidades e descrições, e o download é feito pelo site oficial da equipe.
A tradução não é oficial e não tem relação com a Square Enix. Também não funciona igual em todo lugar: no PC, basta ter o jogo original; no Switch, só em consoles desbloqueados.
Um Final Fantasy sem português
Resonance é o primeiro Final Fantasy no estilo HD-2D, o visual de pixel art com efeitos modernos de Octopath Traveler.
O jogo, desenvolvido pela Square Enix com a Lancarse, adapta o primeiro arco de Final Fantasy Brave Exvius, jogo de celular lançado em 2015 e encerrado em 2025, e troca o modelo gacha por um RPG por turnos tradicional. Saiu para PS5, Xbox Series X|S, Switch, Switch 2 e PC, com preço sugerido de US$ 49,99 nos Estados Unidos.
Os textos originais do jogo estão em inglês, espanhol da Espanha, francês, alemão, japonês, coreano e chinês, com áudio em inglês e japonês.
A ausência do português brasileiro pesou até nas críticas: a análise do Omelete elogiou o jogo, mas registrou que a falta de localização deixa sua marca. E o interesse pelo jogo é grande: ele passou de 27 mil jogadores simultâneos na Steam na estreia, somando todos os países.
O que muda em cada plataforma
No PC, a própria PKG afirma que as traduções funcionam normalmente nas versões originais do jogo. No Switch, o grupo avisa que os mods de tradução só rodam em consoles desbloqueados, ou seja, aparelhos com o sistema modificado.
No PS5, o anúncio não detalha o que é preciso. O histórico do grupo ajuda a entender: quando se apresentou num fórum de romhacking, em 2018, a PKG dizia que suas traduções para consoles da Sony só funcionavam em aparelhos desbloqueados.
Quem é a PKG Traduções
A PKG é um grupo criado por três pessoas, já ativo em 2018, que começou traduzindo jogos de PS3 e PS4, do zero ou adaptando traduções de outras plataformas. Entre os primeiros títulos traduzidos estão Dead Island, Metro 2033 Redux e Metro Last Light Redux.
O nome do grupo é uma curiosidade: PKG é a extensão dos pacotes de instalação dos consoles da Sony. Com o tempo, o grupo ampliou o alcance.
Em 2020, já era lembrado pela tradução e dublagem de Crash Bandicoot N. Sane Trilogy e anunciou sua versão de NieR:Automata para PC e PS4. No Switch, o catálogo inclui New Super Mario Bros. U Deluxe, Super Mario Sunshine (da coletânea Mario 3D All-Stars), Don't Starve e Trine 2; no PC, títulos como Lost in Random.
Hoje, o site afirma que o grupo passou de 200 jogos traduzidos até 2026, com foco recente em RPGs japoneses: Star Ocean The Divine Force, Stranger of Paradise Final Fantasy Origin, Tales of Eternia Remastered e Trails in the Sky 3rd. O servidor da equipe no Discord tem cerca de 15,7 mil membros.
O trabalho é sustentado por patronos, que pagam para receber créditos, pedir traduções, votar nas prioridades da fila e ter acesso antecipado a alguns projetos. Crisis Core: Final Fantasy VII Reunion, em andamento, está liberado primeiro só para esse público, e a página de Resonance no site também traz a etiqueta de patronos. O modelo divide a comunidade: há quem critique publicamente o grupo por, na prática, cobrar por arquivos modificados de jogos de outras empresas.
E a qualidade?
Ainda não há avaliação independente da tradução de Resonance, e o próprio site da PKG pede cautela. Na última atualização da página do jogo, em 25 de outubro, o progresso aparecia como 90% da tradução, 10% da revisão e 10% das texturas.
O grupo também não informa se usou ferramentas de tradução automática.
A PKG não está sozinha. Na primeira semana, ao menos outras quatro traduções de fãs para o português apareceram no Nexus Mods e no GitHub, e várias assumem o uso de inteligência artificial.
Uma delas se descreve como tradução automática com correções pontuais, sem revisão integral da campanha. Outra, marcada como mídia feita com IA, diz ter trabalhado cerca de 21,7 mil entradas de texto. Há ainda uma que aposta em manter nomes de magias, itens e lugares em inglês, como Hi-Potion e Bahamut, para facilitar a busca por guias.