Seja no Japão feudal, em Midgard ou no meio de um apocalipse zumbi, a figura do pai virou um papel recorrente nos videogames, a ponto de dar nome a um gênero. Jogos com narrativa emocional que têm a paternidade como um dos pilares da história ficaram conhecidos como “simuladores de pai triste”, e estão cada vez mais comuns e famosos.
O público envelheceu
Um público com idade suficiente para pensar nos próprios “daddy issues” ajuda a explicar a popularidade dos simuladores de pai triste. Os videogames deixaram de ser coisa de criança no fim dos anos 1990 e, além das aventuras coloridas e infantis, passaram a abrigar títulos mais sóbrios, ainda que em mundos de fantasia.
As pesquisas mais recentes sobre games no Brasil mostram que adultos jogam mais videogame do que adolescentes. A Pesquisa Game Brasil 2019, do Sioux Group, Go Gamers, Blend e ESPM, apontou que a maior parte dos jogadores tem entre 25 e 54 anos. Boa parcela deles (35%) já tem filhos e tenta entender o que é ser pai.
Apostar no amor incondicional dos pais pelos filhos virou uma forma de fisgar os jogadores mais velhos. Nos jogos, os pais agem em nome dos filhos, seja para protegê-los, seja para encontrá-los a qualquer custo. A figura de um pai que cuida de alguém indefeso conversa com a vida dos jogadores e funciona como gancho emocional para que alguém se envolva com o jogo e o termine.
É natural que um pai se identifique muito mais com a jornada de Ethan Winters para resgatar a própria filha do que com a missão de Leon para salvar a nada simpática filha do presidente em Resident Evil 4. Não à toa, Resident Evil Village, com a jornada de Ethan, deve vender em breve 10 milhões de cópias e se tornar o jogo mais vendido da franquia, segundo projeções da Capcom.
Desenvolvedores que viraram pais
Do lado da produção, a popularidade dos simuladores de pai triste vem de muitos desenvolvedores terem se tornado pais na vida real. A paternidade foi uma das chaves que guiaram Cory Barlog a reescrever o Kratos mais humano e frágil do God of War de 2018, um contraponto ao guerreiro sanguinário dos primeiros jogos da franquia.
O fato é que os simuladores de pai triste vieram para ficar. O próximo lançamento do gênero é Death Stranding Director's Cut, que chega exclusivamente ao PlayStation 5 em 24 de setembro. A nova versão mais uma vez coloca o protagonista Sam Porter Bridges numa relação nada usual com o BB, o bebê que ele carrega no Pod.